

Já alguma vez tiveste de ultrapassar uma traição?
Quer de uma relação amorosa, ou até de uma amizade ou familiar. Já te sentiste traída/o? Como foi para ti ultrapassar essa situação dolorosa?
Na verdade, uma traição pode impactar profundamente a saúde mental da pessoa traída, e é comum sentirmos uma tristeza profunda e percorrermos os diversos estágios de luto.
Nos estágios do luto sentimos diversas emoções, e temos diversas tendências de ação, tais como:
- O choque inicial, onde estamos e nos sentimos descrentes do que aconteceu;
- A tristeza profunda e o luto em si da imagem do parceiro, da idealização da relação e da sua segurança;
- A culpa que “vive” do nosso autoquestionamento, onde muitas vezes colocamos o nosso próprio valor em causa;
- A raiva, devido à revolta da perda de confiança na relação, conduzindo a uma emoção de ansiedade e ações de hipervigilância, onde tentamos controlar e/ou entender o que poderá ter levado à perda ou ferida na relação;
- A saudade da pessoa que idealizamos, aquela que tínhamos idealizado na nossa mente e que não mais existe após a traição.

Este processo é assim comum a todos nós, e devemos tentar compreender que todas estas fases, sentimentos, pensamentos e ações são válidas e fazem parte da reconstrução do nosso bem-estar emocional e da nossa própria confiança.
Mas porquê a nossa confiança? Se foi o outro que traiu, não deveríamos perder a confiança apenas nele?
A traição não destrói apenas a confiança no outro, quebra, muitas vezes, a confiança em nós mesmos.
Desta forma, reconstruir esta confiança leva tempo porque temos de passar pelas etapas do luto da relação, mas também o luto das nossas idealizações da versão de nós que existia antes da dor.
Recuperar a confiança é um processo emocional profundo, que envolve tempo, reflexão, e definição de novos limites e, muitas vezes, apoio psicológico.
Tu mereces voltar a confiar. No outro. E em ti.
Por Gonçalo Sardinha – Equipa Silvia Dias
