O medo que vem com a vulnerabilidade

Já alguma vez sentiste medo durante o processo de conhecer alguém?

Já alguma tiveste pensamentos que teimam em retrair-te quando estás a sentir-te apaixonada/o? Parece que te impedem de avançar? 

E mesmo numa relação, o medo por vezes parece que teima em não desaparecer? E persistem pensamentos que te levam a questionar se a pessoa te pode magoar? E/ou se é no fundo seguro?

É importante pensares que não estás sozinha/o, o medo de te magoares numa relação além de ser normal é em certa medida inevitável.

Mas porque é que este medo é inevitável? 

O medo de podermos magoar-nos numa relação está associado à possibilidade de perda da pessoa que se ama, ou seja, por outras palavras ao risco emocional que existe a partir do momento que nos permitimos ser vulneráveis e com isso construir um caminho para uma verdadeira intimidade com o outro. 

Como já provavelmente ouviste algures entre poemas e canções, só quem ama tem medo de se magoar, porque exige de nós uma entrega, em que a nossa felicidade e bem-estar passa a estar também ligada ao amor que sentimos pelo outro. 

Na verdade, ouve-se muitas vezes a frase: “é importante conseguirmos estar bem sós”, e isso pode levar por vezes a uma falsa crença de que é suposto não sentirmos medos e temos de estar bem sós. 

Então como enfrentar este medo? Não é suposto ele desaparecer e aprendermos a ser felizes de forma autónoma?

A questão não passa por tentar eliminar este medo, mas sim aprender a compreendê-lo e aceitá-lo, abraçando-o de forma a conseguir conviver com ele de forma mais saudável e que o mesmo não nos coíba de conseguirmos atingir a vulnerabilidade necessária na intimidade. 

Mas como compreender e aceitar algo que me assusta tanto?

Se este medo for muito forte podemos explorar as suas origens, tentar compreender o porquê de ele existir e que função importante ele desempenhou e desempenha no teu mundo, para poder acolher e aceitar melhor a sua existência. 

A psicoterapia é uma importante ajuda para, com o tempo, poderes realizar este processo de aceitação e aprenderes a conviver com os teus medos – com a liberdade necessária para que eles possam existir sem condicionar os teus desejos íntimos.  

Estás preparada/o para acolher os teus medos?


Por Gonçalo Sardinha – Equipa Silvia Dias

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