Porque precisamos da aprovação do outro?

Quase todas as pessoas dizem, em algum momento da vida:
Eu sei que a opinião dos outros não deveria importar tanto, não me deveria condicionar desta forma, mas…”

É um conflito profundamente humano.

Desde muito cedo aprendemos que o olhar do outro tem consequências: aprovação traz pertença; desaprovação pode trazer distância, rejeição ou vergonha. Por isso, parte da nossa organização psíquica desenvolve-se em torno de uma pergunta silenciosa: será que sou aceite pelo outro?

O problema surge se essa pergunta se torna permanente.

Quando as decisões começam a depender mais da validação externa do que da própria experiência interna. Quando o medo de desapontar alguém pesa mais do que o desejo de ser fiel a si mesmo.

Na psicoterapia, muitas vezes descobrimos que esta dependência de aprovação não é fraqueza, mas tão só o perpetuar do mesmo esforço de adaptação.

Uma criança que precisou de ler cuidadosamente o ambiente emocional à sua volta para manter proximidade com os cuidadores, aprende a desenvolver uma sensibilidade muito fina ao olhar do outro.

Esse recurso pode tornar-se um peso na vida adulta. O trabalho terapêutico passa então por algo delicado: aprender a continuar em relação com os outros, sem precisar de viver permanentemente à espera da sua aprovação.

Não se trata de deixar de se importar. Mas não deixar que se imponha.
Recuperar um lugar interno de decisão.

É nesse movimento, subtil mas profundo, que algo em nós se reorganiza.

Quando a aprovação deixa de ser o eixo, a relação com o outro torna-se menos tensa, menos vigilante, mais verdadeira. Mas, sobretudo, a relação consigo próprio transforma-se!

Recuperar esse lugar interno de decisão não é apenas ganhar autonomia: é deixar de viver em permanente adaptação e começar, finalmente, a viver a partir de si próprio.


Por Francisca Oliveira – Equipa Silvia Dias

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