

Há uma ideia romântica sobre o amor que nos faz acreditar que a intimidade acontece naturalmente.
Duas pessoas encontram-se, gostam uma da outra e, com o tempo, tornam-se próximas. Mas a verdadeira proximidade raramente é automática.
A intimidade emocional exige algo muito mais difícil do que gostar. Exige coragem para ser visto.
Ser visto é deixar que o outro toque em zonas mais sensíveis: os medos que evitamos nomear, as inseguranças que tentamos esconder, as necessidades que receamos que sejam demais. É permitir que alguém se aproxime do lugar onde nos sentimos menos seguros. E é precisamente por isso que tantas pessoas querem amar profundamente, mas ao mesmo tempo fogem da intimidade.
Aproximam-se o suficiente para não ficarem sozinhas, mas não a ponto de ficarem expostas.
Guardam partes de si, suavizam o que sentem, filtram o que dizem.
O medo de não ser aceite pelo outro por vezes fala mais alto. Ser visto implica sempre a possibilidade de não ser compreendido. Implica o risco de não ser acolhido. E essa possibilidade é suficiente para fazer muitas pessoas recuarem… mesmo quando desejam proximidade.

Paradoxalmente, é nesse movimento que tantas relações ficam presas: ambos querem ligação, mas ambos se protegem. Um espera sinais do outro, o outro espera segurança primeiro. E a relação mantém-se num território ‘estranho’ onde existe afeto, mas falta profundidade.
A intimidade não nasce apenas da presença. Nasce quando alguém se mostra um pouco mais do que é confortável. Quando diz o que normalmente calaria. Quando admite o que normalmente esconderia.
Ser visto significa permitir que alguém nos conheça para além das versões organizadas que mostramos ao mundo. Exige coragem, mas é nesse movimento que o encontro se torna real.
Sentes que tens a coragem para te permitires ser vista/o?
Por Francisca Oliveira – Equipa Silvia Dias
