

Já alguma vez pensaste que devias estar mais apaixonada pelo teu parceiro? Que aquele sentimento inicial já não é bem o mesmo e isso angustia-te?
Na verdade, esta preocupação é bem mais comum do que talvez possas imaginar e em certa forma é normal, e faz parte do processo de qualquer relacionamento.
Mas então o amor verdadeiro, aquele amor que tantas vezes nos é descrito em filmes, séries, músicas, não é baseado numa paixão fulminante e eterna?
Na verdade, não! Aliás a boa notícia é que não! Podemos interpretar, através da psicologia, a paixão como um estado inicial de uma relação, no fundo, aquele início que se vive com muita intensidade todos os sentimentos pelo outro, quer os bons quer os menos bons!
Nesta fase o casal vive numa montanha-russa emocional, onde a tristeza, a alegria, a raiva, os ciúmes e os medos parecem triplicar de intensidade, mesmo quando o estímulo que os desperta até pode não parecer justificar tamanha intensidade!
Esta é a fase em que nós idealizamos o nosso parceiro, ou seja, nele parecemos ver de forma intensa e irracional um ser ideal aos nossos olhos, sem defeitos e só com qualidades, onde o foco é a excitação e o desejo, e perdemos, por vezes, a noção da realidade e do tempo.
Mas então porque é que eu afirmei que isto era bom, e porque é que esta paixão não pode ser sempre assim?
Na verdade, se pensarmos bem, viver nesta idealização e montanha-russa emocional a vida toda não seria bom para conseguirmos estar estáveis e conseguirmos ver e compreender verdadeiramente o nosso parceiro. Desta forma, o nosso próprio corpo encontra maneira de no fundo desacelerar um pouco, abrir mão destas emoções fortes e com isso abrir espaço para, de forma progressiva, caminhar para um amor seguro.
Então, mas como compreender o que é este amor seguro?

O amor é um sentimento mais profundo que vai sendo construído à medida que o tempo passa, é um sentimento mais calmo, duradouro, e até mais verdadeiro!
Mas mais verdadeiro porquê?
No amor encontramos espaço para respirar, para ver verdadeiramente o outro não de forma idealizada, mas como realmente ele é! No amor aprendemos a aceitar o outro, a conhecê-lo melhor, no seu lado solar, mas também como diria o Rui Veloso no seu lado Lunar. O amor vive do cuidado mútuo e reciprocidade, e acima de tudo do conhecimento profundo do outro. A tempestade vira bonança, e que boa é esta bonança, nela vive a paz, o porto seguro, a sensação de “casa” que nos permite regular, termos paz e estar em segurança.
Na verdade, como não nos apaixonarmos por este amor seguro que nos mostra e permite ao nosso parceiro mostrar-se como realmente ele é?
Por Gonçalo Sardinha – Equipa Sílvia Dias
