A importância do Amor em tempos de Guerra

Vivemos tempos de guerra.

Deambulando entre alguns períodos de alguma serenidade necessária à evolução, o Homem encontrou sempre forma de retornar ao caminho da guerra. De uma forma ou de outra, a natureza que, talvez viva em nós, sempre procurou uma forma de prosperar, de subir, de elevar-se a pulso em prol de si e/ou em nome da sua comunidade. 

Divididos desde há muitos séculos por tribos, países ou grupos que tentam comungar hábitos, vícios, e formas de se comportar e pensar, tentamos sempre defender o que é nosso e por vezes impingir ao vizinho o nosso “estilo”, sob o pretexto de ser o mais belo e eficaz, mas no fundo, como uma maneira de obter poder. Poder sim, esse desejo que advém de uma ambição talvez desmedida.

Estamos a assistir diariamente a este efeito, como se de um ciclo se tratasse, e de novo, pouco a pouco, a regredir em direção a um passado recente. Um passado polarizado que foi muitas vezes, de forma negligente, posto de lado. Não podemos pôr de lado e cair no erro de dar nada por adquirido, quando a história nos diz que o ciclo tende a repetir-se. 

Precisamos de desacelerar, meter a mão na caixa das mudanças porque aproximam-se curvas perigosas. Precisamos reduzir, parar e respirar. Pensar no que nos trouxe cá em primeira instância, o que no fundo, sempre esteve connosco desde a nascença, nossa, e da própria civilização. Precisamos caminhar sob a luz reluzente da globalização que este novo século nos trouxe e enfrentar os desafios da mesma através do diálogo e não do retrocesso. A mudança é sempre assustadora, apresenta desafios, muros, preconceitos, mas só com a força do amor é possível caminhar para a paz.

O amor, sim, é esse mesmo, que sempre esteve presente desde a nossa nascença e da própria nascença do mundo, da civilização. O amor vive em nós e nas nossas relações. Ele é o suprassumo da vida, talvez, a única coisa que faça verdadeiro sentido perante a incógnita da nossa existência. Porque ele é inato. Sem ele não vivemos. 

Talvez o sentido da vida esteja então no amor, e consequentemente na relação.

 E não é na relação com o outro que nos conhecemos e entendemos mais sobre o nosso mundo interno? 

Desde que nascemos sentimos, sem ainda conseguir pensar sobre isso, uma necessidade de nos conectarmos com o outro, que é vital para o desenvolvimento e desenrolar da vida. A vida é, em si, dependente da relação na nossa espécie, então o que pode ser mais importante?

Nas relações primárias o bebé começa a desenvolver as mais complexas e importantes ferramentas do seu mundo interno que subsequentemente irá aprender a utilizar para comunicar com o exterior. Este aprendizado ocorre na relação com a mãe, e posteriormente com os outros, ou seja, a relação é, em si, algo que podemos concluir como inato e fundamental na nossa espécie como motor para a vida. 

Ao crescer esta necessidade não muda. Precisamos sempre, ao longo do crescimento, de nos conectarmos e criar relações fortes em prol do nosso bem-estar físico e mental. A literatura sugere que as pessoas que têm relações conjugais fortes experienciam fortes benefícios em termos de saúde. É, então, no amor que existe e reside a solução para os nossos principais problemas, quer de saúde e até de propósito. 

O amor é então o início da vida humana, é na relação que aprendemos como viver. Como tal o amor é a base para a nossa vida singular, e consequentemente para a nossa vida grupal, o berço da civilização. Se este é o nosso início, este deve ser o nosso meio e fim. 

Em tempos de divisão, urge olharmos para a base, o amor, e cuidar. Travar o individualismo que floresce das ervas daninhas da divisão e pensar que não é este o caminho. Não és mais forte se fores “individual”. Não faz sequer sentido. Nascemos com e “através” do outro, então, precisamos dele. 

E não é tão bonito precisar de alguém? 

É urgente cuidar das nossas relações, para que com isso, possamos cuidar de nós e do mundo. 


Por Gonçalo Sardinha – Equipa Sílvia Dias

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